A certeza de ser como experiência intersubjetiva, segundo a obra

Aus einer jüdischen Familie de Edith Stein

Anneliese Meis

Centro UC: Estudios interdisciplinarios en Edith Stein

Pontificia Universidad Católica de Chile

 

            Ainda que a certeza de ser tenha uma relevância particular para o pensar moderno filosófico, teológico e existencial,[1] ela não é devidamente investigada na obra de Edith Stein.[2] Em vista da complexidade do pensamento steiniano no tocante a tal certeza, o presente estudo delimitar-se-á à obra Aus dem Leben einer jüdischen Familie (LJF/VFJ),[3] esta singular autobiografía[4] considerada recentemente tanto como portrait (retrato) como “história íntima”.[5]  Gostaria aqui de tomar por conhecidos os detalhes referentes à origem da obra,[6] ao seu contexto[7] e à sua estrutura,[8] já que os senhores publicaram sua tradução em português,[9] e vou então centrar minha apresentação na certeza de ser – Seinsgewissheit –[10] como experiência intersubjetiva[11].

            Em que pese o fato de haver uma única referência explícita a essa certeza – Gewißheit – em LJF (na passagem em que Stein relata sua entrada no Carmelo, VFJ p. 348, quer dizer, ao final de sua longa busca pessoal em meio a um contexto histórico complexo, representado por ela mesma em sua breve obra teatral Diálogo Noturno),[12] o significado dessa certeza é contundente quando visto à luz da compreensão steiniana. Inicialmente, em Was ist Philosophie? (WPh, p. 100 / Qué es Filosofía, p. 21), Edith Stein concebe a certeza em contexto filosófico e como certeza absoluta, mas finalmente, referindo-se à alma, concebe a certeza em Kreuzeswissenschenschaft (KW, p. 142s / Ciencia de la Cruz, p. 351) como “certeza de que esteve em Deus e Deus nela”, uma “certeza grandísima” (Seelenburg –Sb, p. 513 / Castillo Interior, p. 92). Haveria, então, a certeza de fé como certeza totalmente indubitável e como descanso em Deus (Psychische Kausalität – PK, p. 33; 73 / Causalidad Psiquica, p. 249; 298), distinta da certeza de ser – o “eu sinto”, “simples fato de ser” (Potenz und Akt – PA, p. 17 / Potencia y acto, p. 255), mas não separada dela e mesmo articulada entre os dois polos do ser finito e infinito.[13]

Em LJF, tal certeza transluz nos aspectos certos – gewiss – ou incertos –ungewiss – designados indistintamente, e nas seguras ou inseguras relações familiares,[14] de amizade e acadêmicas da autora, de tal modo que, desde a fé judaica da infância, ela oscila entre as certezas-seguranças – Gewissheit-Sicherheit – e as incertezas-inseguranças – Ungewißheit-Unsicherheit – existenciais agravadas pelo agnosticismo mediante marcos certos até a conversão à fe católica como antecipação daquela certeza interior de ter sido ouvida pelo Salvador – Heiland (VFJ, p. 348).

Tal “certeza interior” emerge como “evidência”, quer dizer, como imediatez indubitável, porém mediada como experiência – Erfahrung – intersubjetiva, conforme o que dizia Husserl, segundo o que Edith Stein recorda: “Em seu curso sobre a Natureza e o espírito, Husserl havia falado que um mundo objetivo exterior só pode ser experimentado intersubjetivamente, isto é, por uma pluralidade de indivíduos cognoscentes que estejam situados em intercâmbio cognitivo. De acordo com isso, pressupõe-se a experiência de outros indivíduos. A essa experiência peculiar Husserl, seguindo os trabalhos de Theodor Lipps, chamava empatia (Einfühlung); porém, não havia precisado em que ela consistia” (VFJ, p. 374).[15] Sabe-se que Edith Stein faz tal precisão em sua tese Sobre o problema da empatia,[16] distinguindo-se do enfoque transcendental da intersubjetividade dado pelo mestre por uma ênfase na fundação psicológica, enraizada profundamente no corpo vivo – Leib – e sua causalidade psíquica,[17] ênfase exposta também a críticas em função de sua estreiteza de visão diante da complexidade da experiência intersubjetiva, da consciência coletiva, do gênero e impessoal,[18] que pareceria desaparecer no pensamento steiniano posterior.[19]

Por isso, a presente exposição não pretende abordar a empatia como tal, mas prestar atenção no fato de que a experiência intersubjetiva interrelaciona-se com a vivência – Erlebnis –, sendo esta, sem dúvida, diferente daquela por não necessitar de nenhuma mediação,[20] ainda que seja uma experiência do nós.[21] Nossa exposição indagará, então, a certeza de ser como experiência intersubjetiva, interrelacionada com a vivência, de modo sincrônico-diacrônico,[22] à luz daqueles eixos temáticos enunciados na LJF[23] e que fundamentam a análise conceitual com base nos dados estatísticos do campo semântico da certeza e da seguraça,[24] além de aspectos relevantes tomados de outras obras:

  1. a certeza de ser na vida de uma família judia e sua ambiguidade paradoxal;

  2. a experiência da certeza indubitável de Deus e sua intersubjetividade;

  3. a verificação experiencial da certeza indubitável e seus momentos-chaves.

 

  1. A certeza de ser na vida de uma família judia e sua ambiguidade paradoxal

A vida da família judia de Edith Stein articula-se por meio de uma impressionante complexidade de relações humanas, especialmente com a mãe,[25] em circunstâncias fascinantes que dificilmente deixam indiferentes os leitores nos momentos de certeza incerta e de insegurança segura, ao modo de passing gestures (gestos de passagem).[26] Com efeito, a autora abre, com maestria, a ambiguidade paradoxal dos detalhes relatados em seu sentido mais profundo, enraizado no eu sinto como corpo vivo e constituído pelo espírito considerado com mais amplidão do que o cogito de Descartes e do eu vivo de Husserl, ponto de partida para aquém do qual não é possível recuar (PA, p. 9). Para Edith Stein, esse sentir-se está ligado à casa e a lugares determinados, onde pessoas concretas estabelecem não apenas laços afetivos, mas também espirituais, principalmente amorosos,[27] por meio dos quais se constitui o tempo na história pessoal e coletiva, mediante a liberdade senciente e aberta ao transcendente.

 

a. A experiência vinculada a lugares concretos

São impressionantes as referências steinianas à cidade natal da família, Lublinitz,[28] e às marcas deixadas em todos os níveis. Algo do tipo ocorre já com o conhecido sobrenome, fazendo pensar “que a família procedia, com toda segurança, de Lublinitz” (VFJ, p. 167),[29] que os anos lá vividos foram, sem dúvida, “uma contínua luta contra a escassez econômica”, e que, “diante do orgulho de minha mãe, foi sempre uma dura humilhação o ter de recorrer à ajuda de seus pais”.[30] No entanto, também atestam a certeza de uma variada experiência intersubjetiva as atividades realizadas, por exemplo, com esmero e inteligência por Frieda, que “atua muito humildemente como elemento moderador em operações arriscadas, sobretudo quando os outros estão a ponto de ser enganados por algum pouco confiável arrebatador de clientes” (VFJ, p. 182).[31]

O lugar de nascimento constitui, então, um lar seguro, distinto de outros lugares de onde Edith Stein envia suas coisas “porque não estava segura de [a eles] voltar” (VFJ, p. 415),[32] lugar certamente sempre aberto a acolher pessoas necessitadas, como aquela menina pequena cuja “vida não estava segura com a madrasta” (VFJ, p. 189).[33] Todavia, por ser um lugar limitado, não se considerou propício o sótão para nele instalar pessoas conflitivas, como a mãe de Bieberstein, que aliás “devia conservar sua loja na parte sul da cidade, para garanti-la a Hans, caso ele quisesse algum dia estabelecer-se”  (VFJ, p. 343).[34]

Emergem assim experiências feitas por diversos sujeitos que transitam juntos por um mesmo lugar e cuja permanência para alguns é benéfica, como para a mãe, sobre quem afirma Edith Stein:  “certamente – gewiss – devido à muitas horas que passava ao ar livre, pôde permanecer vigorosa e bela até sua velhice (VFJ, p. 190).[35] Para outros, no entanto, o desprendimento de seu habitat é melhor, como sucede com a despedida de Gotinga, por parte de Husserl, que deixava a cidade com mais satisfação do que sua esposa Malvina, já que “com isso se liberava da penosa situação na qual se encontrava havia muitos anos na Faculdade de Filosofia de Gotinga e ia para uma das mais prestigiosas cátedras de filosofia da Alemanha” (VFJ, p. 467).[36] Segundo Edith Stein, “a transferência rápida para Friburgo produziu um desconcerto” em seus próprios projetos, já que ela “estava segura – sicher – de que no exame oral teria como examinador Husserl mesmo”, o que não significaria mais do que “uma pequena revisão” (VFJ, p. 468).[37] Pode-se observar, assim, um genuíno seguir no caminho por um aprendizado certo e incerto, entre estabilidade e instabilidade, tal como evoca a etimologia do termo experiência, inteiramente originária porque emergente da vida, e não repetitiva, como sucede no campo científico.[38]

Tal experiência originária interrelaciona-se, sem dúvida, com diversas pessoas, de maneira que o sujeito singular modela sua índole pessoal ao modo de um portrait e se projeta certamente rumo a outro sujeito[39] pela intencionalidade, explicada pela discípula de Husserl de modo diferente de seu mestre[40] e finamente salientada pelo exemplo do encontro com Paulina, quando Edith Stein relata: “Quando cheguei à porta de sua casa, ela se virou para mim, saudou-me afetuosamente e me disse: ‘Seguramente vem ver meu marido’” (VFJ, p. 382).[41] Trata-se, aqui, não há dúvida, de um simples gesto afável no qual transcende uma certeza intuitiva que se confirma pela incerteza no interior da segurança, tal como Edith Stein também constata em relação ao seu ingresso “no magistério [para] a grande alegria de sua querida mãe”, que “depois dos particulares ziguezagues do caminho da minha vida até o presente pareceu-lhe que por fim eu havia chegado a um porto seguro” (VFJ, p. 474),[42] um porto seguro, está claro, mas inseguro na história pessoal que se ia construindo por meio de sua filha.

Efetivamente, essas poucas pinceladas a respeito de lugares concretos nos quais acontecia a vida da família judia de Edith Stein evocam uma certeza emergente a partir de uma experiência intersubjetiva incipiente que, para além do lugar estável e mesmo assim não de todo seguro, gesta-se pela liberdade através do tempo para uma história fascinante.

 

b. A experiência do tempo, história constituída pela liberdade

A experiência cotidiana abre-se a partir do passado certo, rumo a um futuro incerto[43] que Edith Stein costuma compreender como retenção e protensão[44] por causa da liberdade do sujeito, ainda que ele não seja de todo consciente das consequências de suas decisões.[45] Assim adverte Edith Stein, ao perguntar a respeito do amigo de sua irmã Rosa: “como se ia atrever a comprometê-la, dada a insegurança de seu futuro” (VFJ, p. 352). Indignava-a mais, porém, o desperdício de possibilidades de seus companheiros quando “apenas lhes preocupava aquilo de que necessitavam para prestar o exame e mais tarde garantir um ganha-pão” (VJF, p. 303),[46] em vez de procurar “acesso ao patrimônio espiritual” e sem um “profundo agradecimento” pelos benefícios sociais “que nossa carteira de estudante nos garantia – sicherte – ” graças ao cuidado amoroso do Estado para com seus filhos prediletos, cuidado esse que despertou em Edith Stein o “desejo de mais tarde corresponder em agradecimento” (VFJ, p. 302).[47]

Essa gratuidade, ligada à criticidade, é associada por Edith Stein à liberdade de cada ser humano que transforma o tempo vivido em história e a plasma em frutos e consequências individuais e coletivas diante das oportunidades; o ser humano que brinda à vida até de modo curioso.[48] Edith Stein conhecia efetivamente o quanto é “esgotante o trato com enfermos psíquicos” e o quanto isso agrava o estado nervoso, e influencia, por exemplo, na relação do Dr. Moskiewicz com Rose, “a quem ele amava, mas não se atrevia a pedir sua mão”, de modo que “também ela sofreu por causa disso, por sua infelicidade e por sua pouca clareza e insegurança. Ela acreditava estar enamorada dele, mas não tinha coragem para terminar com as indecisões e demoras – Schwanken und Zögern” (VFJ, p. 456).[49]

Além de a liberdade ser decisiva para a experiência intersubjetiva quanto a seus efeitos benéficos ou nefastos, tal experiência é, de fato, irrepetível, ainda que com o tempo se repita o gestar-se a segurança, dinamicamente, tanto por circunstâncias quanto decisões novas, como adverte Edith Stein ao afirmar, por exemplo: “Mas a questão não estava resolvida para mim; queria assegurar-me para o caso de uma possível reincidência” (VFJ, p. 442).[50] Esse assegurar-se inseguro referia-se a Kaufmann, que, embora cumprisse “todos os deveres de consciência com todo escrúpulo, não chegou a ser mais do que cabo” em seu serviço militar, e, como “não se sentia seguro como filósofo, em particular como fenomenólogo, temia que uma interrupção tão longa de seus estudos o fizesse perder tudo” (VFJ, p. 454s)[51]. Mas algo semelhante observa Edith Stein a respeito de Moskiewicz, que, “sendo de mais idade, incumbia-lhe a presidência no grupo, mas dificilmente existiria alguém que se sentisse realmente tão inseguro como ele” (VFJ, p. 357):[52] “os outros, pelas costas, zombavam de sua insegurança e de suas eternas perguntas insolúveis” (VFJ, p. 360).[53]

Para Edith Stein, esses efeitos desfavoráveis sobre outros brotam da interioridade do ser humano, visível, por exemplo, na vergonha que inibe o desenvolvimento pessoal, como ocorre às vezes com o receber dinheiro, mesmo que Edith Stein, em um caso por ela citado, estivesse “segura de que os dois mestres não experimentavam inibições desse tipo” (VFJ, p. 272).[54] Algo parecido atesta o medo refutado pelo mestre: “A senhora domina – sicher – a gramática como poucos (VFJ, p. 292),[55] mas, por não estar inteiramente segura, fazia-se “inútil queimar as pestanas trabalhando, pois era tempo perdido” (VFJ, p. 288)[56]. Tal segurança põe em evidência que “alguns desanimam por causa da insegurança e até ficam pelo caminho” (VFJ, p. 299),[57] o que Stein reconhece quando afirma: “Por isso não consegui, para minha infelicidade, um domínio fundamental e firme – sicher – da língua grega tanto quanto tinha da língua latina” (VFJ, p. 301).[58] Emerge também uma incerteza em relação ao pertencimento à própria raça, incerteza esta gerada por um episódio da família de Husserl, que “eram judeus de nascimento, mas se tinham tornado protestantes, com filhos educados no protestantismo”: ao ser questionado sobre a confissão religiosa à qual pertencia, o pequeno Gerhart, sem saber o que responder, ouvia como comentário que “se não o sabes, é porque com certeza és judeu”. Trata-se de uma conclusão não justa, “mas significativa”, já que “mais tarde, Gerhart costumava falar abertamente de sua origem judia” (VFJ, p. 357),[59] o que reflete uma situação generalizada de busca de identidade judia naquele contexto alemão.[60]

Pode constatar-se, assim, que os poucos detalhes evocados fundamentam a liberdade humana como constituinte do tempo na história em nível pessoal, sempre aberta à dimensão coletiva. Essa constituição do tempo em história implica, sem dúvida, uma certeza de ser, ao mesmo tempo certa e incerta, que testemunha uma ambiguidade congênita da experiência intersubjetiva.

 

c. A ambiguidade da experiência da certeza

Ainda que a experiência intersubjetiva se articule mediante uma segurança insegura, ela se abre a uma certeza última, que impregna desde cedo uma ambiguidade à vida cotidiana de Edith Stein. Desse modo, falando de Else, anota que “nem mesmo à noite tinha descanso (…) e me revelou sua vida matrimonial com toda sorte de detalhes, mas de repente dava-me conta de que estava falando com uma jovem e inexperiente senhorita. Pedia-me desculpas por tratar de coisas que seguramente me seriam desagradáveis de ouvir” (VFJ, p. 226).[61] Tal experiência agrava-se em sua ambiguidade por situações de convivência ameaçada por sentimentos contrários, como aqueles despertados pela festa do hospital: “Eu estava confusa”, mas “nós dois éramos talvez os únicos sóbrios na sala” e “seguramente ele me havia observado, e por meu rosto havia intuído como me sentia” (VFJ, p. 422s).[62] De fato, esses sentimentos revelam que a liberdade pode ser usada de modo egoísta para obter segurança pessoal à custa de outrem, como sucede com a cunhada Marta, a quem “ninguém acreditara capaz de pensar em tirar proveito à custa de outrem – sicherzustellen” (VFJ, p. 233),[63] já que “sua pequena fortuna, incorporada a nosso negócio como capital comercial móvel, fundiu sua aspiração à copropriedade dos bens com o desejo de assegurar o futuro aos filhos” (VFJ, p. 233).[64] Isso levou, por sua vez, a mãe de Edith Stein a assegurar suas filhas diante de tais abusos (cf. VFJ, p. 234)[65] e a fazer em seu testamento, mesmo em idade avançada, “uma mudança que consistiu em deixar Arno como proprietário, assegurando para si e para Frida uma participação nos ganhos” (VFJ, p. 235).[66]

Tal ambiguidade, originada por uma liberdade egoísta, plasma-se também por meio de circunstâncias menos maliciosas na carência de autenticidade pessoal, como se observa quando Edith Stein refere-se a Gerhard, fixado no afã de figurar como um jovem talentoso, sem sê-lo, pois “não tinha fortuna, porém um grande futuro em sua carreira – schien ihm sicher” (VFJ, p. 242).[67] Reluz também algo semelhante no espanto genuíno de uma leitura rápida que permite decidir sobre uma estadia favorável, pois “com toda segurança, não estaria tranquila em casa” (VFJ, p. 385).[68] Enfim, surge também uma alegria onde menos se espera, pois “esta vez não estava tão angustiada como no primeiro exame”, e Reinach, muito satisfeito, afirmou: “seguramente Husserl alegrar-se-á bastante, pois não recebe com frequência trabalhos desse tipo” (VFJ, p.  385s).[69]

Em que pese essa notória ambiguidade sempre presente, também persiste, no entanto, uma segurança básica, como Edith Stein afirma a respeito de Erna, que “seguramente (…) desejava nada menos do que ir vê-lo, mas tinha de cumprir com sua consulta”, segurança esta que tampouco desvanece diante da segura objeção de sua família (VFJ, p. 338).[70] Em vez disso, tal segurança se fortalece por uma visita para “estar mais segura” diante do exame de grego (cf. VFJ, p. 379),[71] mas chega a ser uma segurança mortal, com que Edith Stein refuta as intenções de seus tios ao pretenderem atribuir a Goethe a obra Maria Stuart (cf. VFJ, p. 282), segurança, no entanto, exposta aos desvios da liberdade, por não reconhecer os talentos respectivos (cf. VFJ, p. 404),[72] sem decidir-se por um lugar mais oportuno – sicher (cf. VFJ, p. 423).[73]  

Não faltam, está claro, tentativas frustradas, ainda que bem intencionadas, de superar a ambiguidade da certeza. Tais tentativas são visíveis, por exemplo, naquilo que se relata a respeito de Tony, “sempre sob vigilância segura e tão de pronto quanto se apresentavam os sintomas da enfermidade” (VFJ, p. 457s).[74] É notável também o esforço por retificar o verdadeiro motivo de sua atitude diante do erro de percepção por parte de Richard com respeito ao vivido com Nelli, já que seu “amor por seu pai seguramente é também algo elementar” (VFJ, p. 465).[75] Esse amor, sempre presente na vida steiniana, irrompe de modo inteiramente inexplicável a partir de um lugar concreto que a VFJ não menciona, mas cuja concreção histórica atestará a certeza de ser ouvida, Auschwitz.[76]

Emerge, então, a certeza de ser como eu sinto, gestado mediante as seguranças inseguras que brindam aos lugares e tempos evocados por Edith Stein como constituídos pela liberdade humana em uma história de experiência intersubjetiva, pessoal e coletiva, cuja ambiguidade persiste na segurança evidenciada que se projeta como certeza de ser não de todo certa até a certeza indubitável da liberdade humana, sempre em caminho rumo à vontade de Deus.

 

  1. a experiência da certeza indubitável de deus e sua intersubjetividade

É impressionante a certeza incerta de experiências de Deus que tem a família judia e sobre a qual Edith Stein, a partir do mundo contingente, costuma refletir rigorosamente como passagem da razão a outra certeza, a da fé, distinta e porém ligada ao eu sinto aberto à transcendência de uma realidade existente.[77] A autora abre, assim, suas descrições concretas a uma certeza indubitável maior, plasmada a partir de experiências intersubjetivas incipientes que prefiguram a vontade de Deus na vida concreta, até consumar-se na certeza interior de ser ouvida.

 

  1. Experiências incipientes de uma certeza maior

Emergem do relato steiniano momentos de segurança e certeza, qualitativamente distintos do que foi relatado anteriormente, porém dignos de serem tomados em conta para compreender a certeza como experiência intersubjetiva. Isso se aprecia, por exemplo, quando a autora descreve sua experiência natalina como “pássaro sem ninho”, advertindo que elas “duas apenas seguramente teríamos tido mais intimidade” (VFJ, p.  466),[78] ou quando se refere ao pacote enviado a Lipps no fronte e com esta resposta do mesmo: “Você tem uma singular lucidez – Treffsicherheit – para me enviar as coisas  de que justamente necessito” (VFJ, p. 455)[79]. Edith Stein constata ainda, a respeito de sua irmã Erna: “com que paz e segurança realizava o trabalho; uma paz e segurança que não lhe eram tão propícias de igual maneira em sua vida pessoal” (VFJ, p. 197).[80] Edith Stein evoca assim a proteção e o acerto que não deixam dúvidas, mesmo falando de situações como esta: “fiquei dois meses em Hamburgo. Minha mãe não exigia que eu regressasse, embora, por bem, forçasse um pouco sua pequena” (VFJ, p. 223).[81]

Tais experiências cotidianas inteiramente intersubjetivas, ainda que tênues, têm efeitos concretos sobre decisões existenciais de peso, como se observa quando a autora se refere ao assombro de sua família diante de sua decisão de ir para Gotinga: “Minha mãe disse: ‘se é útil para teus estudos, não me oporei’ – gewiss”, ainda que “ela estivesse muito triste, mais triste do que correspondia à separação por um curto semestre de verão” (VFJ, p. 328).[82]

Quanto à conflitividade de experiências vividas, ela não muda o sujeito, mesmo sem aparecer mais, como Edith Stein constata no caso de Else, que “não mudou essencialmente, com toda segurança” (VFJ, p. 228),[83] mas projeta-se em direção a reações futuras, como adverte Edith Stein a respeito de Mos: Podia-se estar seguro de que em todas as discussões ele tomaria a palabra e não a daria facilmente a outro. Tinha tal firmeza em seus princípios que tomava posição com segurança em qualquer questão” (VFJ, p. 308).[84]

Ainda que essas experiências revelem uma certeza maior de estabilidade, elas também são expostas a novidades, como relata Edith Stein ao insistir que “pouco a pouco se foram fazendo os preparativos necessários para a marcha. Uma que vez que garanti o semestre de verão em Gotinga, tive outra ideia nova” (VFJ, p. 329).[85] Também se apresentam efeitos imprevistos, como “aquelas saídas, frequentemente noturnas”, que “eram tensas e emocionantes, porém proporcionavam também muita satisfação”, pois
“assim foram adquirindo maturidade e segurança em si mesmos para o exercício da profissão” (VFJ, p. 334).[86] Abre-se, então, um substrato mais profundo da experiência intersubjetiva, quando, de modo imprevisto, irrompe o transcendente na vida.

Ocorre ainda para Edith Stein que, embora mesclada com a ilusão, a vontade de Deus emerge mediante a maneira como duas mulheres se posicionam perante o futuro, pois “era uma característica essencial da maneira de ser de Marta o alegrar-se com exuberância e de antemão com os acontecimentos previstos, de modo que em todo caso a alegria antecipada a mantinha segura. Minha mãe, pelo contrário, prevenia sempre do risco que tem o alegrar-se prematuramente e não fazia planos a longo prazo; e, ao falar-se do futuro, mal dizia outra coisa além de ‘com a ajuda de Deus’ ou ‘se Deus quiser’” (VFJ, p. 232).[87] Prefigura-se aqui, sem dúvida, o caminho para uma certeza maior indubitável.

 

  1. A prefiguração intersubjetiva da experiência da certeza indubitável

Um indício de tal certeza indubitável transparece no significado que para Edith Stein vai adquirindo a longínqua memória do hino de Lutero, Um castelo forte, que a ela havia agradado “cantar sempre nas celebrações em grupo da escola” e que fez desaparecer toda a sua melancolia, pois “certamente, o mundo podia ser mau, mas, pondo de pé todas as nossas forças – eu e o pequeno grupo de amigos nos quais podia confiar –, venceríamos a todos os ‘demônios’” (VFJ, p. 325).[88] Com efeito, em meio a um mundo certamente – gewiss – mau, a invocação de Deus surge como certeza indubitável que contrasta com o exemplo relatado por Edith Stein no texto Causalidade psíquica (PK), com respeito a “um ateu convencido de que, em uma vivência religiosa, sente intimamente a existência de Deus. Não é capaz de subtrair-se à fé, mas não se situa no terreno da mesma. Não deixa que essa fé chegue a ser eficaz nele; permanece imutável em sua ‘concepção científica do mundo e da vida’, uma concepção que cairia por terra se aceitasse abertamente a fé” (CP, p. 261 / PK, p. 43). Sem dúvida, a experiência relatada coincide com aquela a que Edith Stein se refere em VFJ quanto à importância da decisão para além do mero conhecimento, pois a certeza simples de ser envolve não apenas o sentir mas também o querer do sujeito.

Tal certeza interna à experiência psíquica manifesta-se com mais precisão, efetivamente, em VFJ mediante a pergunta sobre Cristo, com a qual a mãe desafia sua querida filha a um difícil diálogo enquanto retornavam a pé para casa: “também como judeu se pode ser piedoso?”, ao que Edith Stein responde: “Certamente, quando não se conhece outra coisa”. Como conta Edith Stein, “naquele momento ela se voltou para mim exasperada: ‘Então porque tu o conheceste? Não quero dizer nada contra ele. Pode ser que tenha sido um homem bom. Mas, por que se fez Deus?’” (VFJ, p. 508).[89] Essa foi, sem dúvida, uma pergunta decisiva para aquela resposta certa da filha.

Por sua vez, tal resposta prefigura, de modo paradoxal, a constatação de Edith Stein sobre seu próprio estado interior com aquilo que poderia evocar a alocução do sacerdote “na Hora Santa no Carmelo de Colônia-Lindenthal, dito de forma impactante”, pois a ela “ocupava outra coisa mais profunda do que suas palavras” (VFJ, p. 498s).[90] Esse estar ocupada com outra coisa mais profunda tem, por certo, um antecedente similar em PK, ao qual Edith Stein se refere como “um estado de repouso em Deus, de completo relaxamento de toda atividade espiritual, no qual não se faz nenhum tipo de planos, não se adotam resoluções, e, menos ainda, não se age; em vez disso, todo o futuro é depositado nas mãos da vontade divina, ‘abandona-se’ por completo ‘ao destino’” (CP, p. 298/PK, p. 73).

Ainda que tal abandono à vontade de Deus possa ser pressuposta em VFJ, a descrição steiniana de sua experiência decisiva, com efeito, deixa para trás toda preocupação perante o Outro por excelência, ao encaminhar-se para a certeza interior de ser ouvida.

 

  1. A experiência indubitável da certeza de ser ouvida

Com efeito, a incerteza existencial steiniana desemboca na fé em Cristo, verdadeiro Deus-Homem, o Salvador, enquanto a fé, que não é teórica, mas com profundas consequências práticas, significa entregar-se a ele. Tal entregar-se “é algo completamente novo e singularíssimo”, similar àquele descanso descrito em PK como “sentimento de encontrar-se acolhido, de estar liberado de toda preocupação, responsabilidade e obrigação de agir”, já que, “quando me entrego a esse sentimento, começa a preencher-me pouco a pouco uma nova vida que torna a impulsionar-me – sem nenhuma tensão da vontade – a uma nova atividade e a uma energia que não são minhas, mas atuam em mim sem impor exigência às minhas. O único pressuposto para semelhante renascimento espiritual parece ser certa capacidade receptiva, como aquela que se fundamenta na estrutura da pessoa que se escapou à açao do mecanismo psíquico” (CP, p. 298/PK, p. 73). É aquí que se produz outra certeza, para além de atividades psíquicas em seu estrato mais vital, uma certeza grandíssima como certeza de ser ouvida.

Essa certeza de ser ouvida, descrita por Edith Stein em VFJ, efetivamente, deixa de ser um fenômeno fugaz, passageiro e abstrato, pois, como relata a autora, “eu falava com o Salvador e lhe dizia que sabia que era sua cruz a que agora tinha sido posta sobre o povo judeu. A maioria não o compreenderia, mas aqueles que o soubessem deveriam carregá-la livremente sobre si, em nome de todos. Eu queria fazer isso. Ele unicamente devia mostrar-me como. Ao terminar a celebração, tive a certeza interior de que havia sido ouvida” (VFJ, p. 499).[91] Trata-se, aqui, sem dúvida, daquela certeza de fé invocada em FG como distinta da certeza simples de ser, mas sem dúvida interrelacionada com ela por ser fundada na razão iluminada pelo amor. De fato, essa certeza adquire aqui seu ápice, já que mais além da evidência intuitiva completa-se pela ação do Salvador, em resposta à entrega humana incondicional pela certeza de ser ouvida. O fato de ser ouvida, agraciada por Deus – distinto do nível humano – significa que estamos “diante da certeza absoluta e caracterizada em si mesma como absoluta” (NLG, p. 123/ FG, p.  67), mesmo se “ainda não soubesse em que consistia o levar a cruz” (VFJ, p. 499).

Edith Stein sintetiza, efetivamente, sua certeza interior de ter sido ouvida de modo similar a como fala, em FG, da necessidade de concretizar a captação daquela certeza do ser pela mão de Deus,[92] que é presente frente a nós e exige um comportamento livre. “Se colho a mão que me toca, encontro a sustentação absoluta e o amparo absoluto. O Deus todo-poderoso está agora frente a nós como um Deus que é todo bondade, como ‘nosso refúgio e fortaleza’. O amor a ele inunda-nos e nos sentimos enlevados por seu amor. Tocar a mão de Deus e segurá-la é a obra que co-constitui o ato de fé” (NLG, p. 123/ FG, p. 67). Então, “o fundamento da certeza é a fé na veracidade de quem torna a comunicação (…) evidente” (NLG, p. 124-125/FG, p. 67). Nessa certeza da fé há que confiar-se e avançar pelo caminho do “apoiar-se em Cristo” que “não se pode fazer sem ao mesmo tempo segui-lo” (NLG, p. 128/FG, p. 71ss).

A experiência da certeza interior de ser ouvida, então, plasma-se no convite ao seguimento de Cristo mediante a entrega vicária da vida por outro. Trata-se de uma certeza indubitável que se verifica como antecipação e consumação em momentos-chave da vida de Edith Stein, experiência intersubjetiva inteiramente originária.

 

  1. A verificação experiencial da certeza indubitável e seus momentos-chave

Embora a certeza indubitável remonte àquela experiência originária descrita por Edith Stein de modo impressionante, ela não parece, entretanto, poder ser verificável, já que acontece na mística como aquela “certeza de ser sustentado totalmente, uma segurança da presença de Deus que vai além da certeza da fé e que já não é cega”, “mesmo não estando unida inseparavelmente do simples fato de ser”.[93] Com efeito, Edith Stein verifica essa certeza à luz do novo conceito de espírito como renascido no Espírito, tal como descoberto na Ciência da cruz (KW), para além de sua índole subjetiva objetiva em seus efeitos formativos.[94] Tal ontologia do espírito[95] “lança luz sobre a alma: um saber de completa segurança – Gewissheit – que supera qualquer outra ciência e conhecimento, de tal modo que só na contemplação perfeita podemos alcançar uma correta ideia da fé (Is 7, 9)”.[96]  De fato, o que entra pelos sentidos é compreendido pelo coração (cf. 1Co 2, 9), “que aqui significa a alma”[97], “imprimem-se profundamente na alma e despertan um convencimento inquebrantável sobre sua verdade”.[98]

Daí que a certeza interior na VFJ pode ser verificada mediante o intricado processo de desprendimento como um desenrolar permanente de tranquilidade inaudita – Ruhe Stille – com aquela intranquilidade sonora, não isenta do Erlebnis enganoso de uma morte antecipada, mas que brinda ao espírito humano, que se sente seguro de si mesmo como aberto ao outro, à maneira da criança que se sente tão segura nos braços de sua mãe que o temer cair seria irracional (cf. SFE, p. 43): eis a paz e a proteção de Deus em Cristo, antecipadas em seu Espírito.[99]

 

  1. Experiências de segurança por ser si mesma a partir de outro no Espírito

Edith Stein demonstra uma sensibilidade extraordinária por captar a peculiaridade de ser si mesma, própria de cada pessoa, pelo que não apenas está autorizada, mas deve ser si mesma como pessoa livre, quer dizer, causa sui (causa de si), como costuma afirmar Tomás de Aquino,[100] sobretudo no tocante aos dons e deficiências próprias. Donde Edith Stein afirmar que “somente uma vez, com toda segurança sem me o propor, produziu-me grande dor o professor” (VFJ, p. 281), referindo-se ao juízo terrível sobre a aluna Edith Stein, dizendo ser ela uma pessoa que “se alegrava com o mal alheio”, dor essa que a fez desabar em lágrimas (VFJ, p. 281).[101] Essa vulnerabilidade pessoal, no entanto, contrasta com a segurança co-natural sentida diante dos desafios dos exames, de modo a constatar, por exemplo: “esta vez estava muito segura. Mal ouvia o ditado do texto e já via com clareza a tradução; escrevê-la foi coisa rápida” (VFJ, p. 288).[102]

Tal experiência se percebe concretizada na relevância do diretor seguro: “Não era um ensinar e aprender, mas uma busca comum, semelhante ao que ocorria na Sociedade Filosófica, porém levado pela mão de um diretor seguro” (VFJ, p. 378),[103] que, por sua vez, influencia outros: “Sua capacidade extraordinária para as matemáticas fez que ganhasse o respeito de seus companheiros” (VFJ, p. 249),[104] sobretudo como tranquilidade e segurança para agir, pois, “com o Dr. Marek estava totalmente satisfeita. Mal dizíamos uma palavra não relacionada ao estudo e já avançávamos sem parar, com tranquilidade e segurança” (VFJ, p. 272).[105] Ainda, referindo-se à fragilidade física de uma anciã, Edith Stein destacava sua transparente segurança, visto que “caminhava de um lado para outro, muito segura com sua bengala, e recusava toda ajuda” (VFJ, p. 388).[106] Transforma-se também o estado de ânimo por “seu caloroso interesse por tudo o que me afetava, contribuiu com toda segurança para que aquele verão fosse de novo para mim algo radiante” (VFJ, p. 390).[107]

Essa segurança certeira do eu a partir de outro é perceptível também em sua dimensão coletiva, por exemplo, no tocante ao sentimento em relação à guerra, pois “os que cresceram durante a guerra ou depois dela não podem imaginar a segurança em que acreditávamos viver até 1914” (VFJ, p. 394).[108] Tem-se aqui portanto  uma dimensão intersubjetiva, sempre em gestação como aquela da “enfermeira Elsbeth, que me levou com ela (…) a um lugar seguro” (VFJ, p. 423),[109] ou de uma notíacia como aquela que “seguramente (…) era a primeira (…) que receberia em casa depois de sua enfermidade” (VFJ, p. 431s),[110]  ou ainda de um encontro com uma pessoa como Tony, pois significa “uma grande coisa o saber que uma pessoa de tanta pureza de coração, de caráter tão sincero, de tão delicados e profundos sentimentos, está perto de nós” (VFJ, p. 433), experiência esta, no entanto, que não é isenta de um “equivocado zelo materno para assegurar um futuro melhor (aos filhos)”.[111]

Nesse sentido também se pode supor que o inexplicável distanciamento de Edith Stein com relação a Hedwig Conrad-Martius, cuja “relação era mais do que uma amizade comum”,[112] tenha sua razão de ser no “sentir-se católica” da autora, anterior a sua conversão em 1922.[113]

O ser si mesmo transforma-se logo, para Edith Stein, em uma proteção segura, uma defesa diante de outros, como ela relata a partir de suas “experiências na seção dos doentes com tifo”, pois “quando um médico me apresentava a outro como ‘enfermeira Edith, filósofa na vida civil’, eu estava desde então a salvo de suas impertinências” (VFJ, p. 438)[114]. Essa segurança garante também a integridade pessoal em circunstâncias complicadas que afetam outros, como recorda Edith Stein em relação ao incêndio ocorrido em seu hospital, pois “as pessoas estavam todas saudáveis e se puseram a salvo – in Sicherheit – por si mesmas” (VFJ, p. 438).[115]

Então, a certeza de ser si mesmo a partir de outro verifica o ponto de partida do pensar steiniano, o eu sinto cuja relação com a transcendência permanece inicialmente aberta pelo non liquet (literalmente, “ainda não está claro”) com que finaliza O problema da empatia (PE),[116] mas que posteriormente recebe sua explicação pela pergunta referente à criança que viveria constantemente na angústia de que sua mãe a poderia deixar cair: “seria razoável?”, pergunta à qual Edith Stein, em Ser finito e eterno, responde dizendo: “em meu ser eu me encontro então com outro ser que não é o meu, mas que é o sustento e o fundamento do meu ser e que não possui em si mesmo nem sustento nem fundamento” (SFE, p. 667). No entanto, tal segurança encontra-se desafiada pela ambiguidade da vivência – Erlebnis – da morte antecipada que relata Edith Stein.

 

  1. A ambiguidade do desprendimento vivenciado como certeza

A ambiguidade da certeza emerge sem dúvida do Erlebnis de sua possível morte tal como relatada por Edith Stein, que, no entanto, preparou-a durante toda a sua vida como desprendimento de tudo, em um sentido positivo,[117] como, por exemplo, quando doa seus livros científicos, que “receberão com gosto – gewiss – nossos padres carmelitas, trapistas ou jesuítas” (VFJ, p. 514).[118] Tal desprendimento torna-se ambíguo como certeza e incerteza quando Edith Stein descreve o vivenciado de sua possível morte.

A autora conta que, em contraposição com seu entusiasmo vivido, surge um singular sentimento contraditório “que tive não muito depois de compartilhar com Erna o mesmo quarto” no qual a luz não era elétrica, mas a gás, de tal modo que “o lampião de nosso quarto permanecia aceso tenuamente durante toda a noite”, sem fechar o gás, para “poder ter rapidamente luz quando necessário. (…) Uma manhã, nossa irmã Frida abriu a porta do quarto e lançou um grito horrorizada. Uma onda de cheiro de gás tocou-lhe o rosto, e ela se deu conta de que Erna e eu estávamos em nossas camas, pálidas e inconscientes. A chama se havia apagado e o gás continuava a sair. Frida abriu rapidamente a janela, fechou o gás do lampião e despertou-nos. Saí de um sonho doce, um repouso sem temor, e, quando recobrei o sentido da realidade, minha primeira ideia foi: ‘Que lástima! Por que não me deixaram para sempre nesse descanso profundo? Eu descobria com assombro o quão pouco estava apegada à vida” (VFJ, p. 324).[119]

A ambiguidade da vivência da certeza ameaçada por uma insegurança plasma-se também em observações a respeito de outras pessoas, como quando Edith Stein afirma, por exemplo, que em Tony “a maioria não percebia que aquilo que ela expressava era raramente de sua propriedade intelectual. Em geral, sobrevalorizava-se sua possível autonomia, e ela mesma se enganava; a esse respeito estou convencida de que, a pesar da manifesta autoconsciência, interiormente ela se sentia insegura” (VFJ, p. 247).[120] A essa distinção entre a interioridade e sua manifestação exterior Edith Stein tenta esclarecer desde cedo em seu caminho rumo à certeza da fé (cf. Introdução à filosofia). Com efeito, certezas incertas da vida humana preparam o caminho até a certeza interior de ter sido ouvida que se verifica na antecipação de momentos existenciais seguros, entrelaçados com vivências ambíguas mas que fortalecem o anseio persistente e já experimentado de certeza, segurança e proteção.

 

  1. O anseio persistente por certeza, segurança e proteção

A certeza de ser, exposta aos vaivéns da experiência intersubjetiva, e apesar de conservar sua índole obscura em meio ao acontecer existencial, revela-se por meio da persistência de um desejo natural de segurança, como proteção, tranquilidade e paz, pois “não havia alcançado esse grau de clareza no qual o espírito pode descansar em uma compreensão conquistada a partir da qual se abrem novos caminhos e se pode seguir avançando com segurança” (VJF, p. 384).[121] “Caminhava como quem tateia no escuro”, e, no entanto, “perante uma dificuldade permanecia imune: apenas necessitava buscar palavras. Os pensamentos formavam-se como que por si mesmos, fáceis e seguros em vista da expressão verbal” (VFJ, p. 384).[122]

Desse parto intelectual, “o leitor não via nem indícios das dores” (VFJ, p. 384),[123] pois vinha precedido pela incerteza do desejo natural por um cumprimento certo. Verifica-se, assim, o ter encontrado um lar, apesar da ausência momentânea da pessoa envolvida em sua decisão definitiva, já que “desde que encontrei em Beuron como que um lar monástico, vi no abade Rafael ‘meu abade’ (…) Mas não era certo que o pudesse encontrar” (VFJ, p. 498)[124]. Edith Stein consegue encontrar, no entanto, a certeza desejada para além da persistência do afeto filial: “sabia que poderia tranquilizar-se mais com ela do que com ninguém. Como as duas menores, tínhamos conservado sempre a ternura filial para com a mãe. Os irmãos maiores evitavam manifestá-lo, ainda que seu amor não fosse menor” (VFJ, p. 509).[125]

Dessa maneira, Edith Stein toma a decisão definitiva, pois, “movida pelo Espírito Santo escrevi a Madre Josefa, pedindo-lhe com insistência uma resposta rápida, já que, dada a minha situação incerta, queria saber claramente com que podia contar” (VFJ, p. 502s).[126] Essa decisão proporciona, com efeito, a Edith Stein a entrada naquela paz que antecipa a certeza de ser ouvida, pois “finalmente se abriu [a porta da clausura]. E eu atravessei com profunda paz o umbral da casa do Senhor” (VFJ, p. 510),[127] consciente, entretanto, de que “não sou nada, mas Jesus o quer – Ich ein Nichts bin, aber Jesus will es –, e ele, por certo, chamará a muitos outros para isso – und Er wird gewiß noch viele andere dazu rufen” (LJF, p. 373).[128]

Cabe constatar, então, que a certeza de ter sido ouvida é precedida, acompanhada e seguida por experiências originárias intersubjetivas de quietude e sossego mediante uma busca inquieta por discernir os sinais concretos da vontade de Deus. O chegar à meta, entretanto, não tarda definitivamente, e o que pode parecer um lugar de perdição transforma-se em participação na obra salvífica de Cristo pela entrega total de si mesma aos outros.

 

À GUISA DE CONCLUSÃO

Nota-se como a única referência à certeza interior de ter sido ouvida, em Aus einer jüdischen Familie, desdobra-se ao longo da obra mediante as múltiplas facetas de uma experiência originária intersubjetiva, verificada pelas contribuições mais significativas dos outros escritos steinianos. Trata-se aqui, certamente, apenas de um esboço incipiente que convida a ser aprofundado metódica ou tematicamente com afinco, como pretende o presente Simpósio. No entanto, os resultados expostos projetam-se em consequências importantes a todo nível do saber, e dessas consequências eu gostaria de sublinhar as seguintes:

1. A racionalidade do eu sinto, desdobrada pela incerteza interior como experiência originária de intersubjetividade, permite revelar ao sujeito livre no mundo o sentido da existência humana em seu campo de compreensibilidade mais profunda de seu inefável perfil individuado, integrando razão e afeto para uma maior eficiência prática.

2. Partindo da experiência intersubjetiva, a certeza de ser chega a esclarecer-se em seus componentes mais variados, que não apenas garantem a originariedade de tal certeza como experiência, manifestando sua justa relação com a ciência, sempre baseada em repetição, mas também abrem a existência do ser humano, a partir de seu ser no mundo, ao seu fundamento último, Deus. Com isso se revela a ligação congênita entre a natureza e a Graça, que se supõem e efetivam-se mutuamente, mediante a analogia entis (analogia do ente) steiniana, tanto em sua dimensão individual como comunitária.

3. A confluência da certeza de ser na razão iluminada pelo amor como experiência originária promete finalmente ajudar e pôr em prática uma formação do ser humano que supera o divórcio entre pensamento e práxis, pela referência originária ao fundamento pneumatológico de toda formação, sendo o Espírito Santo o formador por excelência porque introduz na verdade completa, sendo o nexo misterioso entre o espírito pensante e o corpo senciente na interioridade da alma humana, antecipada pelo amor de Deus.

 


 

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[1] Cf. Wilhelm Halbfass, Historisches Wörterbuch der Philosophie 3, p. 592-594; Eduardo Fernandois, Ni Fundacionismo ni coherentismo. Una lectura antropológica de Sobre la Certeza, Revista de Filosofía 69 (2013) 99-117; Jean-Luc Marion, Certitudes Négatives, Paris, 2010, p. 11-20; Peter Berger, Anton Zijderveld, In Praise of Doubt. How to Have Convictions Without Becaming a fanatic, New York, 2009, p. 89-119.

[2] La voz “certeza” en M. Knaup, Harald Seubert (eds.), Edith Stein-Lexikon (ESL) Herder, Freiburg-Basel-Wien 2017 está elaborada y documentada de modo insuficiente.

[3]  LJF = Aus Leben einer jüdischen Familie (ESGA, vol. 1). VFJ = Vida de una familia judía (Obras Completas, Editorial Monte Carmelo, vol. 1).

[4] La autora no pretende escribir una “apología en favor del judaísmo, ni desarrollar la ‘idea’ del  judaísmo, ni presentar  una historia judía o algo semejante, sino ‘Yo quisiera sólo narrar sencillamente mis experiencias de la humanidad judía’” (VFJ, 160) y enumera: bondad de corazón, comprensión, cálido compartir y disponibilidad …tampoco pintó estados ideales, que nunca se encuentran en ninguna familia Cf. Maria Amata Neyer, <Die Familie Stein in Lublinitz>, Edith Stein Jahrbuch 3 (1997) 385.

[5] Así se aprecia también en los tres volúmenes de Selbstbildnis.Briefe, Ct Scott Spector, Edith Stein's Passing Gestures: Intimate Histories, Empathic Portraits, New German Critique, No. 75 (Autumn, 1998), pp. 28-56, 6: “Stein's self-portraits brush against the grain of familiar models of identity and representation, just as she seems to offer "intimate histories" which, in contrast to the rhetorical strategy of most memoir-writing, resist being understood as personal narratives representing grand narratives in microcosm".

[6] LJF 3. Scott Spector, Edith Stein's Passing Gesture, 35: a priest's suggestion that Stein commit to writing her "insider's" knowledge of Judaism is first taken up years later, when an unbearable Nazi image of Jews dominates the scene and calls for repudiation.

[7] Cf. Scott Spector, Modernism without Jews? German-Jewish Subjects and Histories. Bloomington: Indiana University Press, 2017, p. 3-55.

[8] Cf. Scott Spector, Edith Stein's passing gestures, op. cit., p. 35: Of course one can take the expression aus dem Leben [from the life of] in a more pedestrian sense, and yet the memoir constantly returns to this structure of passing between intimate, immediate experience and the perceptual experience of the oppositional outsider. Attention is called to the binary of internality/externality, in/out, a structure of identity and alienation which is dissipated within this intimate history, so that it seems as though the goal of "intimate history" itself is to do away with these dichotomies, or to render senseless the segregation of the most private experience from public narratives of peoples and politics.

[9] Cf. Edith Stein, Vida de uma família judia e outros escritos autobiográficos. Trad. Maria do Carmo Ventura Wollny & Renato Kirchner. Revisão técnica e da tradução de Juvenal Savian Filho. São Paulo: Paulus, 2017.

[10] Cf. Anneliese Meis, La certeza simple de ser y su relevancia hoy según Edith Stein, Theologica Xaveriana, 183 (2017) 113-139; Idem, Die einfache Seinsgewissheit: Eine systematische Analyse der Antwort Edith Steins auf die Aporie des thomistisch-augustinischen Denkens in “Potenz und Akt” (estudio para o Edith Stein Jahrbuch de 2020).

[11]  Cf. Antonio Calcagno, Lived experience fron the insider out. Social and Politic Philosophy in Edith Stein, Pittsburg: Durguesne University Press, 2014, p. 77-79.

[12] [12] Edith Stein, ESGA 20, 238; IDEM Obras completas bajo la dirección de Julien Urkiza y Francisco Javier Sancho, (Madrid 2004); v.5. Escritos. espirituales (En el Carmelo Teresiano: 1933-1942) =OC; 730-736. - La obra ha sido  transcrita en Medianoche y presentada con mucho éxito por renombradas artistas, en diferentes teatros importantes en Santiago de Chile,  2018 y 2019. Para una mayor contextualización histórica cultural. Cf. Scott Spector,  Edith Stein's Passing Gestures, 33s: The stated intention of Stein's memoir manuscript, written chiefly in the first year after the Nazi seizure of power, is to provide an alternative history of German-Judaism, a counter-narrative to the National Socialist vision of Jews in German history….Stein's narrative is also generically informed by an early modern central European tradition of writing on Jewish life and Judaism by apostates; the rhetorical force of knowing the Jewish world from within, and then coming out of it into the light, was an important strategy of Judaism's Christian opponents.

[13] Llama la atención la poca importancia que la “certeza de ser” recibe en los estudios secundarios sobre Stein: la voz “Gewissheit” en el reciente Edith Stein Lexikon, de calidad desigual en sus diferentes aportes, es poco explícito al respecto (155), mientras el Husserl Lexikon solo remite dicha voz a “Evidenz”, sin mayor especificación (125).

[14] Hay un paso  metódico significativo en la obra Potenz und Akt en la cual Stein pasa de la “certeza” a la “seguridad”, Cf. Anneliese Meis <La certeza de ser: aproximación histórico-sistemática al dilema de comprensión del pensamiento tomista-agustiniano por Edith Stein en Potenz und Akt>, Revista española de Teología 79/2 (2019) en preparación.

[15] LJF 219: “In seinem Kolleg über Natur und Geist hatte Husserl davon gesprochen, daß eine objektive Außenwelt nur intersubjektiv erfahren werden könne, d.h. durch eine Mehrheit erkennender Individuen, die in Wechselverständigung miteinander stünden. Demnach sei eine Erfahrung von anderen Individuen dafür vorausgesetzt. Husserl nannte diese Erfahrung im Anschluß an die Arbeiten von Theodor Lipps Einfühlung, aber er sprach sich nicht darüber aus, worin sie bestünde”.

[16] Edith Stein, Sobre el Problema de la empatía, trad. José Luis Caballero Bono, Madrid 2004: Trotta 141 pp.

[17] Antonio Calcagno, Lived experience fron the insider out, 110.

[18] Antonio Calcagno, Lived experience fron the insider out, 123-126. Cf. 157: “Or, one can easily imagine a person who sees himself living in a community with a number of dogs…”.

[19] Antonio Calcagno, Lived experience fron the insider out, 17.

[20]Cf. Richard Schaeffler, Fahigkeit zur Erfahrung. Zur transzendentalen Hermeneutik des Spreches von Gott (Quaestiones disputatae) Freiburg 1992: Herder 128 pp.

[21] VFJ 348.  Cf. Timothy Burns, <On Being a “we”: Edith Stein´s Contribution to the Intencionalism Debate>, Human Studies, 2015, 1-19. Para un comentario crítico cf. Antonio Calcagno, Lived experience fron the insider out, 154-159.

[22] Scott Spector, Edith Stein's Passing Gestures, 34.

[23] Scott Spector, Edith Stein's Passing Gestures, 15: Indeed the book's title Aus dem Leben einer jadischen Familie syntactically contains this double movement, claiming authenticity - aus points in this sense to an originary source - while also suggesting that the author has emerged from that world, come "out" of.

[24] LFJ Gewißheit (1), gewiß (13); Ungewißheit (1) ungewiss (1) Por su parte: Sicherheit (7); sicher (33) sicherlich (7), sichern (6), sicherstellen (3); Unsicherheit (3) unsicher (2) unsicheren (2).

[25] Scott Spector, Edith Stein's Passing Gestures, 35: From the Life is a kind of autobiography, but its impetus and its first chapter is the story of another life, that of Edith's mother, Auguste Courant Stein. While the powerful identification between mother and daughter is unmistakable in the text, this most important relationship in Edith Stein's life is also identified as conflicted and adversarial: it is the single obstacle to her surrender to Christian faith. Fearing her mother's reaction, she keeps her Catholic enlightenment a secret at first; then she conceals her desire to become a nun, and her sister's subsequent conversion. The narrative construction of the mother as an external obstacle to Christian faith and simultaneously a model very clearly prefiguring it is a symptomatic gesture of Stein's memoir text, in ways I will trace more closely.

[26] Scott Spector, Edith Stein's Passing Gestures 32 comenta: While the term "passing" is a loaded one, evoking the suspicion of oppressed individuals' inauthentic appropriation of privileged or majority identities, it also contains associations that disturb assumptions of authentic, irrevocable and unexchangeable identity. Stein's phenomenological account of empathy in her 1916 dissertation offers a model of "passing" between self and other that is a prerequisite for the experience of the self. In manifold ways, the figure of Edith Stein seems to pass between categories assumed to be hostile to one another, so that her appropriation within scholarly feminist, German-Jewish, philosophical, and theological canons is necessarily fraught. I am interested in the degree to which this troubled status prefigured the agendas of late twentieth-century "canonizers" - secular and clerical - and belonged to an unruly self- representation of Stein's own making.

[27] Antonio Calcagno, Lived Experience from the inside out, 90; 97; 101.

[28] Cf. Maria Amata Neyer, <Die Familie Stein in Lublinitz>, 385-402;. Andreas Müller und Maria Amata Neyer, Edith Stein. Das Leben einer ungewöhnlichenn Frau. Biographie, Düsseldorf: Patmos 2002, 286 pp.

[29] LJF 9: die Familie stamme sicher aus Lublinitz.

[30] LJF 16 waren ein beständiger Kampf mit wirtschaftlicher Not. Für meine stolze Mutter ist es sicher eine harte Demütigung gewesen, daß sie immer wieder die Hilfe ihrer Eltern in Anspruch nehmen mußte”.

[31] LJF 25 wirkt aber sehr nützlich als hemmendes Element, das vor gewagten Unternehmungen warnt, vor allem, wenn die andern sich überreden lassen wollen, unsicheren Kunden Waren auf »Pump« zu geben.

[32] LJF  262 weil ich es für ungewiß hielt, ob ich wiederkäme.

[33] LJF 33  weil es bei der Stiefmutter seines Lebens nicht mehr sicher war.

[34] LJF 186  Außerdem sollte sie ihre Wohnung im Süden behalten, um sie für Hans zu sichern, wenn er sich einmal niederlassen wollte.

[35] LJF 34 Gewiß hat der ständige Aufenthalt in frischer Luft dazu beigetragen, sie bis ins hohe Alter rüstig und frisch zu erhalten.

[36] LJF 317 Er wurde damit aus der peinlichen Lage befreit, in der er in der Göttinger Philosophischen Fakultät so viele Jahre gewesen war, und kam auf einen der angesehensten philosophischen Lehrstühle in Deutschland.

[37] LJF 318 Mir machte der rasche Übergang nach Freiburg einen Strich durch die Rechnung. Ich hatte sicherdarauf gezählt, daß ich in der mündlichen Prüfung von denselben Herren geprüft würde wie im Staatsexamen …und nur noch einer kleinen Wiederholung bedürfe.

[38] Cf. Anneliese Meis, <La experiencia originaria del ser humano en el mundo y su relevancia para el quehacer científico, según Causalidad Psíquica de Edith Stein>, Veritas.Revista de Filosofía y Teología, 40 (2018) 161-190.

[39] Scott Spector, Edith Stein's Passing Gestures, 37 Empathy - "feeling-into" - on the other hand is an experience of being led by the foreign experience, of identifying as another.

40 Timothy A. Burns, <The Curious Case of Collective Experience: Edith Stein’s Phenomenology of Communal Experience and a Spanish Fire-Walking Ritual>, The Humanistic Psychologist American Psychological Association 44 (2016) 369: In order to grasp Stein’s phenomenological analysis of communal experience, we must understand her starting point. She begins her analysis of community “from within.” By this, I mean that she assumed we are all members of some community or another and that we have experiences as members of those communities. She then brings the tools of phenomenology to bear on those experiences in order to reveal their common essence. This is to be contrasted with the typical starting point of her admittedly more prominent teacher, Edmund Husserl, who begins with the intentional structures of individuals and then proceeds to investigate how those structures can become interwoven with others so that a community emerges (see Husserl, 1973, pp. 218ff.; Husserl, 1988, p. 22; Husserl, 2001, pp. 543ff). I see nothing wrong, in principle, with either approach, but I do believe that Stein’s has the advantage of being more accessible to her readers.

[41] LJF 228 Vor der Tür zu ihrer Wohnung drehte sie sich um, begrü.te mich freundlich und sagte: »Sie wollen gewiß zu meinem Mann.

[42] LJF  324s: Für meine liebe Mutter war mein Eintritt in den Schuldienst wohl eine ganz große Freude… nach den merkwürdigen Zickzacklinien meines bisherigen Lebensweges hatte sie nun den Eindruck, daß ich in einem sichern Hafen gelandet sei.

[43] LJF 197 Aber wie konnte er es bei der Ungewißheit seiner Zukunft wagen, sie an sich zu binden?

[44] SFE 659 n 134/ EES 53 n. 38.

[45] Cf. Christof Betschart (ed) La liberté chez Edith Stein Toulouse 2014: éditions du Carmel, 190 pp., especialmente Eric de Rus, L´Experience de la liberté   Edith Stein:Une approche de la vie intérieure, 27-50; Bénédicte Bouillot, 51-73.

[46] LJF 146… waren ängstlich darauf bedacht, das nötige Examenswissen zusammenzubekommen und sich später eine Futterkrippe zu sichern.

 [47] LJF 146  eine tiefe Dankbarkeit… die kleinen Vergünstigungen, die uns unsere Studentenkarte sicherte …sah ich als eine liebevolle Fürsorge an, die der Staat seinen bevorzugten Kindern angedeihen ließ… den Wunsch, später durch meine Berufsarbeit …meinen Dank abzustatten.

[48] Timothy A. Burns,<The Curious Case of Collective Experience>, 366–380.

[49] LJF 306, Der aufreibende Verkehr mit den Geisteskranken tat das Seine, um die Nervenzerrüttung immer mehr zu steigern. Sehr viel schrieb ich aber auch dem Verhältnis zu Rose zu, die er liebte und der er doch seine Hand nicht anzubieten wagte. Auch sie litt darunter: unter seinem Unglück und ihrer eigenen inneren Unklarheit und Unsicherheit. Sie glaubte ihn zu lieben, aber siehatte nicht den Mut, dem Schwanken und Zögern von sich aus ein Ende zu machen.

[50] LJF  291 Die Sache war aber für mich nicht abgetan. Ich wollte mich vor einer Wiederholung sichern.

[51] LJF 304s Trotzdem er sicherlich alle Pflichten mit der größten Gewissenhaftigkeit erfüllte, brachte er es niemals weiter als bis zum Gefreiten…weil er als Philosoph, und besonders als Phänomenologe, noch nicht sicher gewesen war, fürchtete er durch die lange Unterbrechung des Studiums, alles zu verlieren.

[52] LJF 203 Da bei weitem der Älteste war, übertrug man ihm für dieses Semester den Vorsitz. Aber es war wohl kaum jemand in diesem Kreis, der sich sachlich so unsicher fühlte wie er.

[53] LJF 205 Die andern machten sich heimlich über seine Unsicherheit und seine ewig ungelösten Fragen lustig.

[54] LJF 115 Das war mir immer etwas peinlich…. Die beiden Herren haben sicher von solchen Hemmungen nichts empfunden.

[55] LJF 117 Die Grammatik beherrschen Sie so sicher wie kaum irgendein Mensch…

[56] LJF 132 aber ich fühlte mich doch nicht ganz sicher. Immerhin: unnötig zu büffeln, das wäre doch verlorene Zeit gewesen.

[57] LJF 142 Manche werden durch diese Unsicherheit sehr entmutigt und kommen vielleicht gar nicht ans Ziel.

[58] LJF 144 nie zu einer so gründlichen und sicheren Beherrschung der griechischen Sprache gelangt, wie ich sie für das Lateinische hatte.

[59] LJF  202 waren von Geburt Juden, aber frühzeitig zum Protestantismus übergetreten. Die Kinder wurden protestantisch erzogen.. Er fragte den kleinen Kameraden, was er sei (d.h. welcher Konfession). Franz wußte es …»Wenn du es nicht weißt, dann bist du sicher ein Jud.« Der Schluß war nicht richtig, aber charakteristisch. Später pflegte Gerhart sehr offen von seiner jüdischen Abstammung zu sprechen.

[60] Cf. Scott Spector, Modernism without Jwes? German-Jewish Subjects and Histories, 41-55.

[61] LJF 69, Selbst nachts gab es keine Ruhe… sie enthüllte vor mir ihr Eheleben bis in alle Einzelheiten; manchmal unterbrach sie sich, weil ihr plötzlich einfiel, daß sie mit einem jungen, unerfahrenen Mädchen sprach; dann bat sie mich um Verzeihung, weil sie von Dingen redete, die für mich gewiß sehr peinlich zu hören wären.

[62] LJF 271, Ich war sehr betroffen..Wir beide waren wohl die einzig Nüchternen im Zimmer. Er hatte mich gewiß beobachtet und mir vom Gesicht abgelesen, wie mir zumute war.

[63] LJF 76 Niemand hätte ihr zugetraut, daß sie darauf bedacht sein könnte, ihren Vorteil auf Kosten der andern sicherzustellen.

[64] LJF 77 besaß ein kleines Vermögen, das als Betriebskapital in unser Geschäft mit aufgenommen wurde; …Sie gründete aber darauf den Anspruch auf Mitinhaberschaft, und mit dem Anwachsen der Kinderzahl kam das Verlangen, deren Zukunft sicherzustellen, hinzu.

[65] LJF 77.

[66] LJF 78, Arno als Inhaber des Geschäfts eintragen lassen und sich selbst und Frieda nur einen Gewinnanteil gesichert.

[67] LJF 85 Er besaß zwar gar kein Vermögen, aber eine große Laufbahn schien ihm sicher.

[68] LJF 231 Zu Hause wäre ich doch gewiß nicht so ungestört.

[69] LJF 232 Diesmal war ich nicht mehr ganz so ängstlich wie bei der ersten Prüfung. Reinach war sehr befriedigt. Ich fragte ihn, ob die Arbeit wohl fürs Staatsexamen ausreichen würde. O gewiß! Husserl werde sich sehr darüber freuen, er bekäme nicht oft solche Arbeiten).

[70] LJF 181 Sicherlich sehnte sich (Erna) nicht weniger nach einem Zusammensein als er, aber sie hatte ihre junge Praxis zu versehen und die Familie hätte sich dem Plan einer Fahrt nach Berlin »ohne besondere Veranlassung« sicher widersetzt.

[71] LJF 225, Um aber ganz sicher zu sein…daß ich jetzt schon Griechisch könne.

[72] LJF 251.

[73] LJF 271 …hielt es noch für sicherer…

[74] LJF 307   sie immer sofort unter sichere Aufsicht bringen, sobald die Anzeichen der Krankheit kamen.

[75] LJF 315 »Die Liebe zu ihrem Vater ist sicher auch etwas Elementares.« Das konnte er nicht leugnen.

[76] Manfred Deselaers, Edith Stein-Von Auschwitz aus gesehen, in Edith Stein Jahrbuch 7 (2001) 397-409.

[77]SFE 795 n. 451: Hay que señalar que las palabras "inmanencia" y "trascendencia" tienen aquí un sentido diferente del que tienen en Husserl. Lo que falta aquí es la relación con la conciencia. Es "inmanente" lo que se posee en sí mismo; es "trascendente" lo que existe "fuera de sí".

[78] LJF 316 Wir beide allein hätten uns sicher noch heimischer gefühlt.

[79] LJF 305 »Sie haben eine unerhörte Treffsicherheit im Herausfinden dessen, was ich gerade nötig habe.«

[80] LJF 39 mit welcher Ruhe und Sicherheit sie ihn ausübte – einer Ruhe und Sicherheit, wie sie ihr im persönlichen Leben keineswegs im selben Maß eigen war.

[81] LJF 66 So blieb ich zehn Monate in Hamburg. Meine Mutter drängte nicht auf Rückkehr, obgleich sie ihre Jüngste sicher sehr vermißte.

[82] LJF 171. Meine Mutter sagte: »Wenn es für dein Studium nötig ist, will ich dir gewiß nicht im Wege sein« Aber sie war sehr traurig – viel trauriger als es der Trennung für ein kurzes Sommersemester entsprach.

[83] LJF 71 Else sicherlich nicht wesentlich verändert war.

[84] LJF  152 Man konnte in jeder Diskussion sicher sein, daß er das Wort ergreifen würde und daß dann nicht so bald jemand anders an die Reihe käme. Er hatte schon seine festen Grundsätze, wonach er zu jeder Frage mit Sicherheit Stellung nahm.

[85] LJF 172 Allmählich wurden alle nötigen Vorbereitungen zum Aufbruch getroffen. Nachdem für mich selbst der Sommer in Göttingen gesichert war, kam mir ein neuer Gedanke.

[86] LJF 177 Es gab viel Aufregung bei diesen oft nächtlichen Fahrten, aber auch manche Freude. Und man reifte dabei zu Selbständigkeit und Sicherheit in der Ausübung des Berufs heran.

[87] LJF 75 Es war überhaupt Marthas Grundsatz, sich lange und ausgiebig auf bevorstehende Ereignisse zu freuen, weil man die Vorfreude jedenfalls sicher hätte. Meine Mutter dagegen warnte immer davor, zu früh zu jubeln, faßte nicht gern Pläne auf lange Sicht und sprach von etwas Künftigem fast nur mit dem Zusatz: »Mit Gottes Hilfe« oder »Wenn Gott will«.

[88] LJF 169 Ich weiß nur, daß Luthers Trutzlied »Ein feste Burg…« darin vorkam. Ich hatte es in unsern Schulandachten immer gern mitgesungen..Gewiß – die Welt mochte schlecht sein: Aber wenn wir unsere ganze Kraft einsetzten, die kleine Schar von Freunden, auf die ich mich verlassen konnte, und ich – dann würden wir schon mit allen »Teufeln« fertig werden.

[89] LJF 268 »Man kann also auch jüdisch fromm sein?«… »Gewiß, wenn man nichts anderes kennen gelernt hat. « …Nun kam es verzweifelt zurück: »Warum hast du es kennengelernt? Ich will nichts gegen ihn sagen. Er mag ein sehr guter Mensch gewesen sein. Aber warum hat er sich zu Gott gemacht? «.

[90] LJF 347s fanden wir uns zur Heiligen Stunde im Karmel Köln-Lindenthal ein… Er sprach schön und ergreifend, aber mich beschäftigte etwas anderes tiefer als seine Worte.   

[91] LJF 348 Ich sprach mit dem Heiland und sagte ihm, ich wü.te, daß es Sein Kreuz sei, das jetzt auf das jüdische Volk gelegt würde. Die meisten verstünden es nicht; aber die es verstünden, die Gemütt en es im Namen aller bereitwillig auf sich nehmen. Ich wollte das tun, Er solle mir nur zeigen, wie. Als die Andacht zu Ende war, hatte ich die innere Gewißheit, daß ich erhört sei.

[92] Cf. vale en un significado análogo lo que comenta Scott Spector, Edith Stein's Passing Gestures, 41s the experience of touching involves both the sensation of the living body - internal sensation - and the perception of a hand touching an object which one knows from seeing other bodies touching other objects.  Edith Stein's Passing Gestures an act that can then be identified as "touching." This dual nature of corporeal experience is called "reiterated empathy", and "is at the same time the condition making possible that mirror-image-like givenness of myself' which belongs to a host of primordial experiences, such as memory, fantasy, expectation, and so forth. All are "primordial as present experience though non-primordial in content”. The double mode of experiencing is crucial to the possibility of emergence of "the pure self' or "the pure ' I ', " which, without the empathic relation to other selves, cannot be given to itself - its "selfness" first appears through the empathic encounter with "the otherness of the other."

[93] Acto y Potencia 255/ Potenz und Akt 17.

[94] SFE 972/ EES 310. Cf. Anneliese Meis, <Feeling and its theological relevance in the formation of the human person according to Edith Stein> American Catholic Philosophical Quarterly 91 ( 2017) 175-198.

[95] Ciencia de la cruz 249/ Kreuzeswissenschaft 46 cf. Anneliese Meis, El Espíritu Santo y el sentimiento. Nexo misterioso entre espíritu y cuerpo en Edith Stein (Studia Theologica Matritensia, 20) Madrid 2016: Ediciones Universidad San Dámaso, 377pp.

[96] Ciencia de la cruz 250/ Kreuzeswissenschaft 48.

[97] Ciencia de la cruz 251/ Kreuzeswissenschaft 49.

[98] Ciencia de la cruz 264/ Kreuzeswissenschaft 61.

[99] Anneliese Meis, El espíritu finito, anticipado por el Espíritu Infinito en la obra de Edith Stein. Scripta Theologica, 47 (2015) 9-40.

[100] Tomás de Aquino, Contra Gentes, I, c. 72 n. 8 “Liberum est quod sui causa est: et sic liberum habet rationem eius quod est per se. Voluntas autem primo habet libertatem in agendo: inquantum enim voluntarie agit quis, dicitur libere agree quamcumque actionem”, También, Super Romanos, c.1, lect. 1. Cf. Mª Juliana Peiró Pérez Mª Idoya Zorroza. <La noción de libertad como causa sui en Tomás de Aquino>, en Cauriensia 9 (2014) 435-449.

[101] LJF 124 Nur einmal hat er mir, sicher ohne es zu wollen, sehr weh getan… Ich fand nur einen Vorwurf kränkend: Jemand hatte gesagt, ich sei schadenfroh, und dieser Jemand war unser Klassenlehrer. Ich konnte mir kaum etwas Häßlicheres denken, und daß mir so etwas zugetraut wurde, das ging mir so zu Herzen, daß mir die Tränen kamen.

[102] LJF 131s Aber diesmal war ich meiner Sache ganz sicher; ich war mir schon beim Diktieren des Textes klar über die Übersetzung und das Niederschreiben ging schnell.

[103] LJF 224 Das war kein Dozieren und Lernen, sondern ein gemeinsames Suchen, ähnlich wie in der Philosophischen Gesellschaft, aber an der Hand eines sicheren Führers.

[104] LJF 93 Seine hervorragende mathematische Begabung sicherte ihm die Achtung der Kommilitonen.

[105] LJF 114 Mit Herrn Dr. Marek dagegen war ich restlos zufrieden. Wir sprachen fast nie ein Wort miteinander, das nicht zur Sache gehörte, und es ging unaufhaltsam, ruhig und sicher voran.

[106] LJF 234 Sie ging nicht sehr viel aus, weil sie einen lahmen Fuß hatte. Immerhin bewegte sie sich an ihrem Stock sehr sicher und lehnte fremde Hilfe ab.

[107] LJF 236…ihr warmer Anteil an allem, was mich betraf, hat sicher dazu beigetragen, daß dieser Sommer wieder recht sonnig für mich wurde.

[108] LJF 240 Wer im Krieg oder nach dem Krieg herangewachsen ist, der kann sich von der Sicherheit, in der wir bis 1914 zu leben glaubten, keine Vorstellung machen.

[109] LJF 271 Schwester Elsbeth, eine hübsche Brünette, faßte auch mich unter den Arm und zog mich mit; ich mußte noch froh sein, daß ich so an einem sichern Platz war und geführt wurde.

[110] LJF 280 Es war sicher die erste Nachricht, die man seit seiner Krankheit daheim bekam.

[111] LJF 283 aus einer merkwürdig irregeleiteten mütterlichen Fürsorge, um ihnen ein besseres Fortkommen zu sichern.

[112] Angelika von Renteln, Momento aus den Krisenjahren Edith Steins in Edithn Stein Jahrbuch 7 (2001) 343-354, especialmente, 352-354.

[113] Selbstbildnis, Briefe III Brief nr 93 del 29.11.1925.

[114] LJF 287 Seit jenen Erfahrungen auf der Typhusstation hatte ich gemerkt, daß es wie ein Schutzwall war. Wenn ein Arzt mich dem andern als »Schwester Edith, in Zivil Philosophin« vorstellte, war ich von vornherein vor Zudringlichkeiten sicher.

[115] LJF 287: Die Leute waren alle gesund und konnten sich selbst in Sicherheit bringen, es war kein Menschenleben zu beklagen.

[116] Scott Spector, Edith Stein's Passing Gestures 42, … others, and toward an unresolved conclusion on religious con sciousness and revelation ("non liquet," she interpolates in the argument, "It is not clear.").

[117] Scott Spector, Edith Stein's Passing Gestures, 48, Stein might call a "empathic move which requires something Stein might call a ‘giving-itself-away’."

LJF 374, Die wissenschaftlichen Bücher würden gewiß bei unseren Patres, den Trappisten oder Jesuiten, mit Freuden als Geschenk angenommen.

[119] LJF 168, Zu dieser Hochstimmung stand in merkwürdigem Gegensatz ein Erlebnis, das ich wohl nicht viel später hatte. Ich schlief damals – wie immer bis zu ihrer Verheiratung – mit meiner Schwester Erna in einem Zimmer. Wir hatten noch kein elektrisches Licht im Haus, sondern Gasbeleuchtung; an der Lampe in unserm Schlafzimmer war ein Kleinsteller angebracht, und wir pflegten nachts den Hahn nicht abzudrehen, um jederzeit rasch wieder Licht haben zu können. Eines Morgens öffnete unsere Schwester Frieda die Tür zu unserm Zimmer und stieß einen Schrei des Schreckens aus. Ein starker Gasgeruch strömte ihr entgegen; wir beide lagen totenbleich und wie in schwerer Betäubung in unsern Betten. Die Flamme war ausgegangen und das Gas ausgeströmt. Frieda riß schnell das Fenster auf, drehte den Hahn ab und weckte uns. Ich erwachte aus einem Zustand sü.er, traumloser Ruhe, und als ich zu mir kam und die Situation erfaßte, war mein erster Gedanke: »Wie schade! Warum hat man mich nicht für immer in dieser tiefen Ruhe gelassen?« Ich war selbst ganz betroffen über die Entdeckung, wie wenig ich »am Leben hingen.

[120] LJF 90 Die meisten merkten es nicht, daß das, was sie sprach, selten ihr geistiges Eigentum war; ihre selbständige Begabung wurde allgemein übersch.tzt und sie selbst täuschte sich wohl darüber; ich glaube aber sicher, daß sie es  im Grunde fühlte und bei allem zur Schau getragenen Selbstbewußtsein innerlich unsicher war.

[121] LJF 230, Ich hatte noch nicht jene Stufe der Klarheit erreicht, auf der der Geist in einer gewonnenen Einsicht ruhen kann, von da aus neue Wege sich öffnen sieht und sicher fortschreitet.

[122] LJF 230 Ich tastete wie im Nebel voran… Vor einer Schwierigkeit blieb ich bewahrt: Ich brauchte kaum je nach Worten zu suchen. Die Gedanken formten sich mir wie von selbst leicht und sicher zum sprachlichen Ausdruck.

[123] LJF 230… der Leser von den Schmerzen dieser geistigen Geburt keine Spur mehr fand.

[124] LJF 347 Seit ich in Beuron eine Art klösterlicher Heimat gewonnen hatte, durfte ich in Erzabt Raphael »meinen. Allerdings war es noch nicht sicher, daß ich ihn antreffen würde. Er hatte Anfang Januar eine Reise nach Japan angetreten. Aber ich wußte, daß er alles tun würde, um zur Karwoche daheim zu sei.  

[125] LJF 361 Ich wußte, daß sie sich von ihr am ehesten beruhigen ließe. Wir beiden Jüngsten hatten der Mutter gegenüber immer die Kinderzärtlichkeit beibehalten. Die älteren Geschwister scheuten sich davor, obgleich ihre Liebe sicher nicht geringer war.

[126] LJF 353 Vom Heiligen Geist ermutigt, schrieb ich an M. Josepha und bat dringend um schnelle Antwort, da ich in meiner unsicheren Lage doch Klarheit haben müsse, womit ich zu rechnen habe.

 LJF 362 Endlich tat sie sich auf, und ich überschritt in tiefem Frieden die Schwelle zum Hause des Herrn.

[128] No existe una traducción al español.